sexta-feira, 27 de julho de 2012

Como preparar a aula de catequese?

~ Preparando a Lição ~

O que exigimos da catequista na tríplice formação necessária é a preparação remota: bom conhecimento da doutrina católica, boa vida cristã, bom aparelhamento pedagógico. Mas é geral e não basta para as aulas. Cada aula requer um trabalho especial e uma preparação imediata, cuja ausência será suficiente para enfraquecer a lição do melhor teólogo, do mais perfeito pedagogo.

Preparação próxima - Construo assim minhas aulas de Catecismo primário: 1) Um trecho (em geral um fato ou uma parábola) do Evangelho; 2) a doutrina; 3) a formação, com os 4 pontos: hábitos cristãos, hábitos piedosos, liturgia, apostolado.

Seleciono o trecho evangélico, ou simplesmente o procuro (quando o programa o indica), releio-o textualmente, vejo o que interessa a esta aula, afasto cincurstâncias que não servem ao assunto e que, no momento, iriam apenas dissipar ou sobrecarregar a atenção das crianças, saliento os pontos de que extrairei a doutrina.

Disponho agora a parte doutrinária: fixo a ideia principal sobre que girará a aula, que repetirei muitas vezes, que farei repetir, escrever e memorizar; organizo o assunto na ordem que mais convém a crianças, afasto o que não poderão compreender e o que as distanciaria da ideia central, única de que faço questão, pois me satisfaço com uma ideia por aula.

Vou agora à formação, que é, em geral, o mais difícil. Se a aula não chegar às conclusões práticas, ficou em meio, sem atingir os fins. Minhas conclusões devem fluir naturalmente da doutrina, como esta fluiu do Evangelho, e adaptar-se à vida das minhas crianças. Tanto mais vivas e mais práticas tanto melhores. Dificilmente as encontraremos inteiramente feitas - ou porque os manuais, em geral, não as trazem, ou porque, quando as trazem (como MEU CATECISMO¹) ainda precisam de certa adaptação à condição destas crianças. Então, que hábito cristão ou piedoso posso inculcar? Que obra de apostolado irão elas fazer? Que aplicação litúrgica?

Para tudo isto, reli o texto do Evangelho, revi no Catecismo a doutrina de que preciso, consultei este ou aquele manual (para sugestões), escrevi meu plano de aula. Mesmo agora, que sigo MEU CATECISMO¹, onde quase tudo está feito e proporcionado às crianças, ano por ano, embora facilitadíssimo o trabalho, ainda é necessária a preparação próxima. Certos pontos exigem mais precaução; certas palavras demandam explicação mais infantil.

Seria imprudência não pensar nas perguntas que a aula pode suscitar. Algumas serão inteiramente imprevisíveis, dado o espírito das crianças; outras, quase infalíveis, e a própria catequista terá a habilidade de as provocar sutil e habilmente. Não é demais estudar também as respostas claras e satisfatórias que lhes daremos.

Auxiliares - Já não é o tempo das teses teológicas explanadas aos meninos, que as decoravam. Aulas vivas, interessantes. Vamos preparar igualmente tudo o que nos auxiliará em manter o interesse, em despertar o entusiasmo. Que histórias iremos contar? Que comparação faremos? Que exemplo daremos? Que frases escreveremos, que gráficos faremos no quadro negro? Que expressão pediremos: história a inventar, quadro a interpretar etc? Não basta ter bonitas histórias, é necessário saber apresentá-las no momento devido. Não é uma arte, que requer um delicado tato psicológico, escolher histórias, comparações e exemplos à altura da classe?

E o modo de contá-las? Vi certo pregador despertar no auditório uma grande hilaridade com uma terrificante descrição das penas do inferno. Questão de modo de falar, do gesto, da expressão do rosto.

A prória História Sagrada precisa de mão segura nesta questão de escolha. Há certos fatos que é preferível não contar, certas minúcias que podem ser prejudiciais no momento².

Esta escolha merece uma atenção especial da catequista.

Tudo irá cuidadosamente preparado para o bom êxito da aula.

Material - O ensino intuitivo quer ainda mais que histórias, comparações e exemplos. O que é possível mostrar, não se descreve: - mostra-se. O material didático é indispensável. 

Mas que material nos é indispensável a esta aula? Na coleção de quadros, escolheremos o que nos convém; um santinho explicará bem esta passagem; um desenho a colorir ou copiar; dois meninos brigando servirão para ilustrar o exemplo que preparamos; uma notícia de jornal, contando o desastre que aconteceu à criança que foi nadar sozinha às escondidas; um recorte tirado duma revista com um clichê das Missões... Uma série de coisas, que é preciso preparar de antemão.

Caderno de Lições - A professora já terá certamente atinado que é preciso preparar a lição de Catecismo como prepara as demais lições, organizando-a e escrevendo-a no seu caderno de preparação de lições. A catequista, que não é professora, tenha o seu caderno para o preparo das lições. Escreva o resumo do que vai dizer, em ordem, bem dividido; anote as histórias, as comparações, os exemplos; deixe aí bem claras as conclusões a tirar, as aplicações a fazer; por fim, para facilidade, tome nota do material que vai empregar.

Cada qual tem o seu sistema de fazer este caderno. Deixo no meu uma margem bastante larga para os acréscimos, que me vêm de duas fontes: 1. das inevitáveis deficiências, que novas revisões suprem, que novas preparações revelam; 2. da própria aula, ora dos alunos, cujas reações ajustam isso, completam aquilo, reclamam aquiloutro; ora de mim mesmo; uma comparação feliz que surgiu no curso da conversa, uma atitude que impressionou melhor as crianças, um exemplo tirado, no momento, à vida da própria aula, uma aplicação mais imediata, uma pergunta que me é feita... E escrevo à margem.

Dentro de algum tempo, este caderno é um manancial. É um curso completo de catequese. Não suprirá nunca a preparação próxima, mas facilitará enormemente o trabalho da catequista, dando-lhe muito maior rendimento às atividades. Custa um pouco fazê-lo, sem dúvida alguma. Mas paga o pequeno sacrifício não só com o fruto da aula imediata, mas com as facilidades sem-par das aulas futuras.

Aos pés do Senhor - A catequese não é apenas um trabalho intelectual: é uma tarefa sobrenatural. Não é só de aulas interessantes que precisamos, mas de frutos de vida cristã. Estes, é Deus quem dá. A catequista, alma de vida interior, que nada faz sem a pura intenção de agradar a Deus, antes de começar a sua preparação, rezou - como reza, aliás, antes de todos os trabalhos.

Mas agora, feita a preparação intelectual imediata, volta aos pés do Senhor, a meditar no seu assunto de aula. Verdadeira meditação, descendo às profundezas da verdade estudada para amá-la, senti-la, possuir-se dela. Aí é que aparecem as conclusões práticas, as aplicações à vida. Daí é que nos vem o entusiasmo do falar, a unção sobrenatural (mas tão natural nos santos!), a chama que comunica aos pequeninos o amor às coisas de Deus.

Encerraremos nossa preparação rezando pelos alunos, para que eles compreendam e amem. "Pai, que se faça como é de vossa santa vontade, e nenhum desses pequeninos que me confiastes se venha a perder"³.
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(1) MEU CATECISMO é um livro para o curso de religião primário, do Mons. Negromonte.
(2) As crianças, em geral, não compreendem por que o Menino Jesus ficou no templo: acham que foi desobediência a Nossa Senhora. - A circunstância de São José ter sido avisado em sonho da fuga para o Egito, tem despertado esta pergunta: Então, a gente deve acreditar em sonhos?
(3) Cf. Mt 18,14

Capítulo do livro A Pedagogia do Catecismo

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